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A hipnose moderna tem sido usada, com sucesso, para construir a auto-estima, mudar hábitos, perder peso, parar de fumar, melhorar a memória, modificar problemas comportamentais em adultos e crianças, tratar a ansiedade, medos, fobias, depressão, stress, preparar o sujeito para cirurgias, entrevistas de emprego, provas, testes de actores, provas escolares etc. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 90% da população mundial pode ser hipnotizada.

Mas, o que é hipnose?
Hipnose é um estado da mente que todos nós experimentamos, naturalmente, ao longo do dia. Por exemplo, ao conduzir o carro, pode não se lembrar de que está a guiar, como se estivesse no piloto automático. O estado hipnótico natural também acontece quando se lê um bom livro, se envolve com um filme interessante ou em qualquer outra actividade, onde todas as outras coisas parecem ter sido "bloqueadas". Alguém pode conversar consigo e não a ouvir. Em qualquer circunstância onde seja necessária uma grande concentração, automaticamente a pessoa transfere-se para um estado hipnótico natural.


O uso da hipnoterapia clínica é feito para acelerar o processo de terapia e encurtar o tempo de tratamento. O tempo varia de acordo com a pessoa e o problema, de uma sessão a poucos meses de trabalho.

A hipnose não é uma terapia em si, não é a cura "milagrosa" que os pacientes desejam, mas é uma boa ferramenta que ajuda a tornar o inconsciente observável e aflorar os recursos de cada um mais rapidamente para um trabalho de cura. Em geral, com cinco sessões já se con segue um bom trabalho.


Algumas áreas onde a hi
pnose tem bons resultados:  

   Depressão

   Síndrome do Pânico/Ansiedade

   Problemas de Aprendizagem

   Stress Pós-Traumático

   Stress

   Fobia Social e Específica

   Medo de avião

   Timidez

   Dor

   Desabituação tabágica

   Obesidade

   Medo de Falar em Público

   Insónia

 

 Esta é uma terapia eficiente na resolução das questões psíquicas de cada indivíduo, sem a necessidade de “investigar” a vida de uma pessoa, o seu passado, e assim é possível chegar às causas indo até aos registos mentais negativos, e "bloqueá-los" na mente.

Desta forma é possível resolver alguns problemas comportamentais e diversos transtornos emocionais, fazendo uma espécie de viagem na mente (consciente e inconsciente), indo da vida intra-uterina até ao momento presente, num curto espaço de tempo.

Proporciona ao paciente, equilíbrio emocional, motivação e elevação da auto-estima. Estes são elementos indispensáveis para que o organismo humano funcione adequadamente, inclusive no campo imunológico, projectando a verdadeira saúde.

  Aos poucos a
Hipnose vai conquistando espaço
nos mais variados segmentos
da saúde
(clínica integrativa),
na educação, desportos
e recursos humanos.
  
 

Como seres humanos, somos induzidos e condicionados desde o momento do nosso nascimento. Assumimos a capacidade de psicossomatização e crescemos sob a influência do meio ambiente em que vivemos.

É sabido que a humanidade está cada vez mais propensa à insegurança e ao medo constante, devido ao crescimento da hostilidade e da criminalidade, factos que certamente influenciam no comportamento humano. Por outro lado, a avalanche de informações que chegam pelos veículos de comunicação numa exploração do sensacionalismo, tem-se aproveitado disso para ampliar de forma inconsequente, o sexo, a violência, o medo e a insegurança na população, utilizando-se de ferramentas indutoras na forma de desenhos animados, filmes, telejornais, novelas, etc...

E cada vez mais a população tende a conviver com a ansiedade, stress e depressão. Dentro deste contexto, a Hipnose Clínica surge para dar um pouco mais de esperança ao mundo moderno. Ao resgatar a verdadeira essência da Vida, elimina as impurezas da mente humana e possibilita uma melhor qualidade de vida.

Hipnose e os seus mitos 

1. MITO DA INCONSCIÊNCIA
– Muitos pensam que estar hipnotizado significa estar inconsciente. Há aqueles que até desejam ficar inconscientes para que "todos os seus problemas lhes sejam tirados". Na verdade, o transe hipnótico é caracterizado por uma dissociação consciente/inconsciente, onde a consciência está presente, e é desejável que esteja, para participar no processo de cura. Por estar a vivenciar uma experiência agradável, eventualmente a pessoa não se lembra do que foi falado, porque ficou distraída com pensamentos, imagens ou sons. 
 

2. MITO DE CONFESSAR SEGREDOS SEM QUERER
– Mesmo em transe profundo a mente conserva um sentido de vigilância que protege a integridade da pessoa. Na hipnose Ericksoniana raramente a pessoa é convidada a falar. O inconsciente é capaz de resolver silenciosamente os conflitos mais profundos. 

 A hipnose também é muito utilizada
no tratamento de doenças psicossomáticas
(por exemplo, úlceras de fundo nervoso),
sendo um dos métodos que obtêm
resultados mais breves e eficientes.

 

3. MITO DE NÃO VOLTAR DO TRANSE
– Se, eventualmente, por estar numa experiência muito agradável ou num transe mais profundo, a pessoa não aceitar a sugestão de voltar do transe, basta deixá-la mais algum tempo, e naturalmente, o transe hipnótico se transforma em sono fisiológico e ela acorda.  

  A hipnose permite ao paciente
abrir as janelas para o mundo
que ele mesmo tinha fechado,
facilitando assim a diminuição da
ansiedade e consequente regresso a
uma melhor qualidade de vida

4. MITO DE SER DOMINADO PELO HIPNOTERAPEUTA
– O estado de transe é sempre uma auto-hipnose. O hipnoterapeuta é um facilitador, um companheiro de viagem, apenas alguém que está ao lado enquanto o inconsciente da pessoa trabalha. 
 

5. MITO DA DEPENDÊNCIA
– Um hipnoterapeuta cuidadoso tem sempre o cuidado de dar sugestões pós-hipnóticas de autonomia e liberdade. Ex:...E no dia a dia sua mente inconsciente pode continuar por si mesma com um processo natural e saudável de mudanças... 

Não se conhece ainda completamente como
a hipnose altera as funções cerebrais.
Uma das teorias actuais é que ela afectaria os mecanismos da atenção, numa parte
do cérebro chamada
substância reticular
ascendente
(SRA), localizada na parte mais basal (tronco cerebral).
Esta área, que também tem muitas funções relacionadas com o sono, com o estado de
alerta e com a percepção sensorial,
"bombardeia" o cérebro continuamente
com estímulos provenientes dos órgãos dos
sentidos, provocando excitação geral.
A inibição da SRA leva aos estados de sonolência e "desligamento" sensorial.
 
 


A Hipnoterapia é considerada uma terapia breve, por vezes cinco sessões serão suficientes. 
  
 




A terapia é feita pelo cliente, com as coisas que vêm do cliente… 



A hipnose utiliza a técnica de indução do transe, que é um estado de relaxamento semi-consciente, mas com manutenção do contacto sensorial do paciente com o ambiente.
O transe é induzido de modo gradual e por etapas, através da fadiga sensorial, que geralmente é provocada pelo terapeuta usando a voz, de forma calma, monótona, rítmica e persistente. Quando o transe se instala, a sugestibilidade do paciente é aumentada; o que requer um elevado nível ético do médico.

A hipnose leva então à várias alterações da percepção sensorial, das funções intelectuais superiores, exacerbação da memória (hiperamnésia), da atenção e das funções motoras. Estabelece-se um estado de alteração de estado da consciência, um tipo de estado que simula o sono, mas não o é (a pessoa não "dorme" na hipnose): o eletroencefalograma (EEG) do paciente sob hipnose é de vigília, e não de sono. Chamamos a este estado sono terapêutico. 


 
Duração duma primeira sessão: duas horas.
Seguintes: umas hora.


 

 Por Maria Luísa Albuquerque
(Ph.D em Psicologia Social
Master Training em PNL)


Neste artigo trataremos este tema tão em voga, o seu significado e interesse prático em psicoterapia. Há quem considere uma charlatanice enquanto outros a apresentam como panaceia para todos os problemas.

Falaremos de técnicas chamadas "de regressão” e das suas implicações.

Podemos usar vários métodos: hipnose, terapia sistémica (constelações familiares) ou pesquisa transderivacional (programação neuro-linguística - PNL).

Usando hipnose, o paciente pode ser levado pela força da sugestão a tempos passados, quer tenham sido vividos por ele ou não. Basta que acredite terem sido vividos para ser passível de tratamento. Não é uma verdadeira regressão, pois se se pedir a uma criança de 6 anos que desenhe uma árvore, ela fá-lo sem raízes e se se fizer o mesmo a um adulto numa "regressão" sob hipnose, ele desenha-as.

A um paciente regressado aos 3 anos sob hipnose, por exemplo, perguntam-lhe as horas e ele olha instintivamente para o relógio.

Percebemos que não é uma regressão real, mas um método para avivar a memória, fazer com que o paciente “mergulhe” no seu inconsciente e aí vá buscar factos que o traumatizaram.

Na psicanálise, leva-se o inconsciente ao consciente. Na hipnose, obnubila-se o consciente, para provocar uma descarga emocional do problema vivido. Por vezes o paciente fica surpreendido ao “ouvir” que o seu inconsciente tem condições diferentes do que a razão pensa. Esta técnica faz entender melhor o poeta quando nos diz que ‘o coração tem razões que a razão desconhece’...

Depois, devolve-se a pergunta ao inconsciente do paciente, até que tudo se esclareça sem contradições. Assim, é o próprio paciente, em estado consciente, que faz o seu diagnóstico sobre o inconsciente. E é ele quem descobre as soluções. O psicoterapeuta só faz perguntas com orientação, levando o paciente a tirar conclusões.

Embora o trabalho (qualquer que seja o método) seja realizado no adulto, procura-se a criança ferida que se encontra dentro do adulto.

  Fazendo uma “regressão”,
utilizando qualquer método
já referido,

o paciente com a ajuda
do psicoterapeuta,

consegue “retornar”
ao momento

em que fez as opções
negativas

e reformulá-las vendo-as
com outros olhos.

E assim se poderá libertar
do peso do passado!
 




É preciso fazer a humanização integral da pessoa para que se quebre então toda a cadeia e se eliminem as ramificações ou sintomas que assentaram sobre aquelas bases. Não é simplesmente investigar o porquê da doença, mas também o “para quê” da cura. Neste sentido, cada ser humano precisa descobrir a sua missão, a missão de amar, mas para isso, torna-se necessário que cada um descubra que foi amado primeiro. E o homem assim liberto para o amor, torna-se capaz de humanizar a sua existência e também, em cadeia, a existência dos outros. Quem tem capacidade de amar, tem capacidade de compreender.

Não são os problemas em si que nos atingem, é a nossa atitude perante os mesmos (V. Frankl - 1976). O amor é fundamentalmente orgânico. Morre mais gente de fome de amor, que de fome biológica!

Em programação neuro-linguística (PNL) a filosofia é a mesma com outro nome: sofremos “imprints” (impressão) negativos e, para que a cura se dê, precisamos fazer um “reimprinting” (reimpressão) positivo. Uma impressão (imprint) ocorre quando um indivíduo passa por uma experiência significativa, à qual associa forte emoção e a partir dela forma uma ou mais crenças.

Para a PNL, o que importa
não é o conteúdo da experiência,
mas sim a crença ou impressão
gerada a partir da mesma.
Dito de outra forma,
importa o significado que
o indivíduo atribuiu à experiência,
as conclusões a que chegou.
 
 
 

O conceito de impressão foi proposto por Konrad Lorenz, que estudou o comportamento dos patos no momento em que saíam do ovo. Neste momento, eles imprimiam a figura materna, de forma que o que quer que fosse que se movesse, e que estivesse perto no momento em que saíam do ovo, passava a ser seguido e "tornava-se", para os patinhos, na mãe.
Lorenz verificou que os patinhos "imprimiram" as botas que ele usava no momento em que saíram do ovo e então passaram a segui-lo, como se as botas fossem a "mãe". Ele tentou apresentá-los à mãe-pata, mas eles ignoravam-na e continuavam a segui-lo.

Lorenz acreditava que, tal como com os patinhos, nos seres humanos as impressões ocorriam em momentos importantes do desenvolvimento neurológico e que não era possível alterá-las posteriormente.

Timothy Leary estudou o fenómeno da impressão nos seres humanos e descobriu que estes possuem um sistema nervoso mais sofisticado que o dos patos, e por este motivo o conteúdo das impressões poderia ser acessado e reprogramado (reimpresso).

Leary também identificou períodos críticos no desenvolvimento dos seres humanos. As impressões ocorridas nestes períodos geram crenças básicas, que moldam a personalidade e inteligência do indivíduo: crenças sobre ligações sentimentais, bem-estar, destreza intelectual, papel social, etc.

As impressões podem ser experiências "positivas", que geram crenças úteis, ou experiências traumáticas, que conduzem a crenças que limitam. Na maioria das vezes, elas incluem pessoas significativas, que inconscientemente podem ter servido de modelo.

A técnica da reimpressão (reimprint) utilizada pela PNL parte da crença e da sensação associada à impressão, como forma de guiar o indivíduo de volta ao passado (regressão), até ao momento em que passou pela experiência de impressão negativa.
Esta é uma forma de regressão que, ao contrário de certas intervenções feitas por outras abordagens terapêuticas, é feita conscientemente, com o indivíduo plenamente "acordado" e totalmente no controle da situação. De volta ao facto, ele pode descobrir que recursos ele e as demais pessoas envolvidas teriam precisado naquela época para que ele não se sentisse daquela maneira.

Traçando no chão uma imaginária “linha do tempo” que deve representar os anos vividos pelo paciente, este vai caminhando para trás, do presente ao passado, levando com ele a sensação física que o incomoda (quando esta existe).
Consegue assim identificar - sempre com a ajuda do psicoterapeuta - momentos que para ele foram significativos, até chegar ao cerne do problema que geralmente é na primeira infância. Aí deve acolher a criança ferida que vive dentro de si, falar com ela, tranquilizá-la e dar-lhe os recursos que na altura lhe faltavam e que depois transporta para o presente, sempre caminhando na linha do tempo.

O indivíduo não poderá apagar os factos que compõem a sua história, mas poderá mudar o seu ponto de vista a respeito deles. Seria como reviver aquela experiência, só que agora levando consigo toda a vivência e os recursos obtidos ao longo dos anos. Como vemos, a reimpressão (reimprint) é usada no tratamento de traumas, crenças limitantes, sentimentos e comportamentos persistentes na vida adulta (como timidez, insegurança, agressividade, etc.) e em alguns casos de fobia. Ela permite “retroceder” no tempo (na realidade é um avivar da memória) e descobrir a experiência geradora de tais crenças, sentimentos e comportamentos, os quais o indivíduo não consegue alterar pelo simples esforço consciente e compreensão intelectual. A orientação do psicoterapeuta é fundamental!

Na terapia sistémica (método de Bert Hellinger), ao fazer-se uma constelação familiar, procura-se o lugar certo de cada membro da família, restaurando assim a “alma da família”.

Na “alma da família” há 3 forças principais:

   – a força que promove a união.

   – a força do equilíbrio entre o dar e receber

   – a força da ordem, é preciso haver normas entre o grupo.

Comparamos a “alma da família” a um bando de pássaros ou de peixes, em que um influencia o outro dentro do sistema entrelaçado em que vivemos. Às vezes o passado está na frente e é preciso colocá-lo atrás, para que não impeça o futuro. 
 


Qualquer que seja a técnica utilizada (hipnose, PNL, constelação familiar), ao ser encontrado o facto que marcou a criança negativamente, o adulto que hoje é, pode, com a ajuda do psicoterapeuta, ressignificar esse momento, ou seja, transformar o negativo em positivo, fazer uma caminhada do lado escuro da lua para o lado iluminado…

Paciente com crises de pânico havia alguns anos

A.T., 23 anos, estudante universitária tinha perdido o pai, piloto aviador, quando ela tinha cerca de 3 anos. Dois irmãos mais velhos, embora com pouca diferença de idades. Desde os 18 anos que tinha crises de pânico e andava em tratamento psiquiátrico sem grandes resultados.

Depois de algumas sessões de relaxamento neuro-muscular para tranquilizar, foi tentado por diversas técnicas avivar a memória inconsciente, A.T. disse a certa altura que tinha a sensação que as suas crises estavam ligadas a rejeição e o número 1 fazia-se sentir-se incómoda. Usando uma técnica de pesquisa transderivacional (PNL), A.T. diz que visualiza a mãe, grávida dela de sete meses.

- “A minha mãe está sentada na borda da cama, tem roupinhas de bebé espalhadas. O meu pai acaba de entrar e ela mostra-lhe, a sorrir, um casaquinho. Ele não disse nada e saiu, batendo com a porta. A minha mãe está a chorar…”

Nesta altura a paciente abre os olhos e diz que não quer continuar. Sente-se agitada e pede explicações sobre a cena que visualizou. Foi-lhe pedido que a contasse à mãe.

Voltou no dia seguinte acompanhada da mãe que se mostrava surpreendida, pois nunca tinha contado à filha aquela cena. E contou que quando se sentiu grávida e comunicou ao marido, este reagiu mal, pois já tinham dois filhos, o mais novo com pouco mais de um ano. Tudo isto aconteceu no primeiro mês de gestação e justamente A.T. sentia que os seus problemas estavam relacionados com rejeição e o número 1 (na realidade ela foi rejeitada pelo pai quando tinha cerca de um mês de gestação).

No entanto, quando A.T. nasceu, o pai ficou muito feliz, pois desejava uma menina e cuidava muito dela, já que o irmão imediatamente a seguir adoeceu e a mãe dedicava-lhe mais atenção (rejeição!). Quando a menina tinha cerca de 3 anos, o pai faleceu e A.T. não entendeu muito bem esta súbita ausência (rejeição!).

Aos 16 anos, arranjou um namorado que algum tempo depois, sem coragem para terminar o relacionamento, fez tudo para que fosse ela a terminar (rejeição!). O mesmo voltou a acontecer dois anos mais tarde com novo namorado e A.T. começou a ter a síndrome do pânico cada vez que, consciente ou inconscientemente se sentia rejeitada.

O tratamento (que se dividiu em várias sessões) consistiu em primeiro lugar fazer a paciente perceber a atitude do pai, aceitar que não estava a ser rejeitada e depois fazer o luto do pai.

Paciente que se auto-mutilava

M. de 16 anos, foi-me trazida pela mãe. Estava muito agressiva com a família e auto-mutilava-se nos braços com uma faca. Questionada disse que queria “sentir na carne a dor que sentia na alma”.

Depois de algum tempo de terapia e muito mais calma, pedi-lhe que se imaginasse numa praia deserta e que visse um calendário na areia cujas folhas estavam a ser levantadas pelo vento. Uma onda encharcou o calendário e ficou aberto num número que lhe pedi me dissesse. De imediato referiu o número 06 e disse que se sentia incómoda ao pensar nisto.

Pedi-lhe que perguntasse à mãe o quem teria acontecido ao 6º mês de gestação dela. Entretanto encontrei a mãe que me disse ter sido para ela uma fase complicada, pois para completar a gravidez com tranquilidade e poder dedicar-se a este filho como se tinha dedicados aos outros três, tomou a decisão de deixar o trabalho de economista numa empresa onde estava a fazer carreira. Ficou admirada com a reacção da filha, pois nunca lhe tinha contado nada. Preveni-a que M. lhe iria fazer a pergunta e que seria importante não só contar, mas referir de como foi uma decisão difícil mas que depois lhe proporcionou muitas alegrias.

Quando M. me referiu o que a mãe lhe tinha contado, foi feita uma terapia de aceitação da renúncia da mãe no sentido positivo.

Nestes e noutros casos, a causa dos problemas estava bem situada nesta vida. Através de técnicas diversas foi possível ao psicoterapeuta chegar ao momento do trauma e dar-lhe um novo significado (reimprint), sem ter que recorrer a teorias sem qualquer comprovação científica como é a crença em vidas passadas.

Há casos de transferência repetitiva das consequências de conflito e comportamento.

A uma paciente que através duma técnica de "regressão" se colocou nos três anos de idade, aconteceu este diálogo:

- "A mãe está a brigar com o pai, diz que ele não presta, que é trapalhão e preguiçoso, que não faz nada, que não nos liga".

O psicoterapeuta pediu à paciente que investigasse a situação em nível mais profundo, e esta disse:

- "O que a mãe diz não é verdade. Ela é que é dominadora. Ela é que o anulou. Ela quer o domínio total e afastou-nos dele... Nós temos medo do pai!... Mas a mãe é que nos fez ter medo dele!"

O psicoterapeuta tem então de fazer a paciente entender a mãe:

- "Vamos ver o que leva a sua mãe a agir deste modo. Veja donde lhe veio esta atitude de querer dominar e afirmar que o seu pai não presta".

- "Na verdade, não vem dela! Este era o comportamento da minha avó, que estava sempre a dizer que os homens não prestam e que as mulheres têm de ser fortes para os dominarem... A minha avó era igual à minha mãe. Eu não a conheci, mas estou a vê-la".

Procurou-se neste caso a infância da avó, sempre pelo trabalho da memória inconsciente, que se estende tranquilamente a várias gerações. A avó foi localizada aos 13 anos, à porta de casa a olhar para um rapaz. Chega a bisavó que a puxa violentamente para dentro e lhe prega um sermão negativo sobre os homens. A paciente lembrou-se da frase final desse discurso:

- "Não estás a ver como é com o teu pai? Aprende comigo como se deve lidar com os homens, para que não abusem".

Esta reacção em cadeia, estava a reflectir-se na paciente e no seu comportamento com os namorados, de desconfiança e domínio, cortando assim desde o princípio um bom entendimento, mesmo que houvesse sentimento de amor.

No entanto, o ser humano é dotado de liberdade, pelo que ninguém é determinado fatalmente a comportar-se de determinada maneira, só porque recebeu influências negativas do passado e do ambiente. As influências podem agir, mas de modo algum impedem a liberdade de mudar, de corrigir e reeducar uma maneira de ser negativa. Este pode ser um belo trabalho para o psicoterapeuta e utilizando aqui a técnica das constelações familiares de Bert Hellinger consegue-se deslindar este emaranhamento no passado.

A criança no útero materno, é especialmente sensível aos sentimentos de aceitação ou rejeição dos seus pais para com ela e responde activamente, por meio de manifestações psicossomáticas.

Freud apresentou o inconsciente como um conjunto de processos dinâmicos, formado por desejos recalcados e pela libido. É matéria psicológica que só pode ser conhecida pelo afloramento simbólico ao consciente, onde deve ser analisada e interpretada por um terapeuta experimentado.

Jung, discípulo de Freud, modifica e amplia esse conceito de inconsciente, acrescentando-lhe outros componentes e, especialmente, fazendo a diferença entre consciente pessoal e colectivo. Este é formado por "arquétipos", as características arcaicas resultantes da experiência dos nossos antepassados e afirmava que os nossos inconscientes se comunicam entre si.

 Assim fica mais fácil entender que,
é possível tratar um filho através da mãe.
Na realidade, as chamadas crianças difíceis,
são mais vítimas que culpadas.
Desde pequeninos, são autênticos
gravadores de alta-fidelidade.
Vão gravando tudo o que vêem e ouvem,
como o gravador
faz com a música.
Depois... vão tocar a música que gravaram,
à medida que cresceram.

(Pe. Manuel António, in «
O Gaiato
»
de 27 de Maio de 1995).

 


Para Jung e Freud, o inconsciente precisa ser aflorado ao consciente, onde chega precisando interpretação.


 

Pacientes há que pedem que lhes seja feita uma “regressão a vidas passadas”, como que a deitarem para tempos desconhecidos a causa dos seus problemas. No entanto, a experiência mostra que é nesta vida que temos de procurar a causa dos problemas e respectiva solução. Cada um tem de aceitar a responsabilidade dos actos que pratica e o falar em vidas passadas, mais parece uma fuga de si mesmo.

Percebemos ao estudar os conteúdos inconscientes, que existem dimensões humanas a partir do inconsciente, que são capazes de agir sobre os registos do passado no indivíduo, de compreender os códigos inconscientes já programados e comportamentos e reacções daí resultantes, podendo reformular a programação inconsciente.

Sobre vidas passadas apenas podemos dizer que são uma crença. Guilherme de Occam, mestre de epistemologia (ou raciocínio lógico) que viveu de 1300 a 1350, formulou o princípio que “entre duas hipóteses igualmente possíveis se deve escolher a mais simples”.
Na realidade, uma análise sem preconceitos mostra que a maioria das chamadas “provas de reencarnação” não resiste à crítica da análise científica.

Então, antes de se procurar a causa dos problemas em vidas passadas, é importante analisar a vida presente, resistindo à tentação da explicação fácil e descartar todas as hipóteses negativas nesta vida que todos conhecemos.
 

A chamada terapia de regressão em geral precisa de 3 consultas:


A primeira sessão dura 2 horas e procura-se avaliar as necessidades do paciente e é feita uma primeira sessão de hipnose de modo a que o paciente aprenda a relaxar.
Na segunda sessão, que dura 1 hora, é feita a regressão e na terceira sessão, que dura também 1 hora é tratado o problema apresentado na regressão.

Se o paciente desejar, pode levar a sessão de regressão gravada em filme e para isso terá de trazer uma pen.Também, se for considerado importante, podemos fazer uma pesquisa do ancestral protector e do seu animal de força.
São experiências muito nutrientes que ajudam a desbloquear situações.
Estes procedimentos não são rígidos, pois cada paciente tem o seu próprio ritmo e necessidades.

BIBLIOGRAFIA:
QUEVEDO, Óscar G- - A Face Oculta da Mente, ed. APPACDM, Braga 1996
HELLINGER, Bert - A Simetria Oculta do Amor, ed. Cultrix, São Paulo 1998
- Para que o Amor dê certo, ed. Cultrix, São Paulo 2001
- Constelações Familiares, ed. Cultrix, São Paulo 1996
- Ordens do Amor, ed. Cultrix, São Paulo 2002
ANDREAS, Connirae e Tâmara - Transformação Essencial, ed. Summus, São Paulo 1996
BANDLER, Richard e GRINDER, John - Atravessando – Passagens em Psicoterapia, ed. Summus, São Paulo 1991
BANDLER, Richard e GRINDER, John - Sapos em Príncipes, ed. Summus, São Paulo 1990
JUNG, Carl Gustav - Sincronicidade, ed. Vozes, Petrópolis 1984
FRANKL, Viktor - A psicoterapia na prática, ed. EPU, São Paulo, 1976
BARBERÁ, Elisa Lopez e KNAPPE Pablo Población – A Escultura na Psicoterapia, ed. Agora, São Paulo, 1999
BLANK, Renold J., Reencarnação ou ressurreição, uma decisão de fé, Paulus, São Paulo, 1995
DALLEGRAVE, Geraldo E., Reencarnação, Ed. Loyola, São Paulo, 1987
 
 

 



Muitas vezes, as pessoas querem largar o hábito do cigarro e têm medo do mau estar que a privação da nicotina dá, têm medo de engordar e, sobretudo, têm medo de não serem capazes.
A par do tratamento que o médico ou o farmacêutico prescrevem, a hipnose condicionativa pode dar uma grande ajuda.


A desabituação é feita em cerca de 5 sessões (depende de caso para caso), levando o paciente gravado em cd parte da sessão, para que a possa repetir sempre que sentir necessidade. 

1ª sessão:
Faz-se uma avaliação da dependência tabágica do paciente por meio de um questionário. Avalia-se o motivo que leva o paciente a querer deixar de fumar. Se a tentativa de desabituação é por vontade dele ou imposta. Procuram-se perceber e minar os receios que o paciente tem (engordar, não conseguir, sentir-se mal…). Através dum squash visual (técnica de programação neuro-linguística) faz-se a integração das partes (a que quer deixar de fumar e a que o levou a fumar) do paciente que aparentemente se guerreiam e, fazendo a integração das duas, pode-se aumentar a motivação.Termina a sessão com um ligeiro relaxamento. 

2ª sessão:
Sessão de hipnose condicionativa em relação ao tabaco. Leva-se o paciente ao sono terapêutico, faz-se um condicionamento interno a que se segue um descondicionamento. Depois do condicionamento externo, termina-se com um recondicionamento.
 

3ª sessão:
Repete-se a parte da sessão de hipnose em que se faz o descondicionamento em relação à vontade de fumar, repete-se o recondicionamento e grava-se a sessão num cd para o paciente repetir em casa sempre que desejar.
 

4ª e 5ª sessão:
Analisam-se as dificuldades do paciente e, em princípio, fica o trabalho terminado.