Podemos influenciar com o pensamento
a produção de hormonas
do bem-estar?

A química da felicidade existe?

Três pessoas ficam presas num elevador. Uma delas perde os sentidos. A segunda parece sob controlo, mas sofre um ataque de ansiedade assim que é salva. A terceira permanece calma durante todo o episódio. A diferença no comportamento delas é a avaliação interna que fazem desse acontecimento stressante. Segundo estudos sobre a relação entre psicologia e biologia, como os feitos pelo Instituto de Medicina para o Corpo-Mente da Universidade Harvard, o problema aí não é o stress, mas a resposta que se dá a ele. A medicina "corpo-mente" ensina que a chave está na resposta de relaxamento. O estímulo de determinadas emoções pode inundar as células de hormonas e neuro-transmissores que permitem relaxar diante de situações stressantes. Este é um dos pilares da biopsicologia, que alia abordagens científicas, como a psiconeuroimunologia, a conceitos orientais, como a medicina ayurvédica. "Está tudo nas nossas mentes", diz a antropóloga, doutora em psicologia e monja Susan Andrews, autora de Stress a Seu Favor (ed. Ágora).

O que é biopsicologia?

É um termo usado por cientistas para definir o estudo científico da biologia do comportamento e processos mentais. Refere-se ao inextricável relacionamento entre psicologia e biologia, que é chamado medicina corpo-mente, ou psiconeuroimunologia. É a confirmação do que diz a neurologista Candace Pert: cada mudança de humor é acompanhada por um turbilhão de "moléculas de emoção" — hormonas e neurotransmissores — que flui através do corpo, afectando todas as células. Cada célula humana contém cerca de 1 milhão de receptores para receber essas substâncias bioquímicas. Assim, quando estamos tristes, o nosso fígado está triste, a nossa pele está triste.



Como essas moléculas nos afectam?

Praticamente tudo no corpo é regulado pelas hormonas. Elas estão entre os mais poderosos agentes biológicos, influenciando, por exemplo, a resposta ao stress. Cardiologistas pensavam que as pessoas mais propensas a sofrer ataque cardíaco — as com personalidade "tipo A" — fossem apressadas, altamente competitivas e hostis. Recentemente percebeu-se que o problema não é tanto o estilo de vida acelerado ou a ambição compulsiva, mas a hostilidade. As pessoas que respondem a chefes prepotentes ou engarrafamentos no trânsito com irritabilidade - que vivem dizendo "Ai, que chatice!" - segregam até 40 vezes mais cortisol das glândulas supra-renais.

Qual é o problema com o cortisol?

Em excesso, é tóxico para o organismo. Assim, pessoas do "tipo A" são cinco vezes mais propensas a sofrer doenças e morrer cedo do que as "tipo B", que têm mais cabeça fria.

A secreção excessiva de cortisol também afecta a nossa cognição - literalmente mata as células cerebrais no hipocampo, a região do cérebro responsável pela memória. É por isso que mais e mais pessoas perdem a memória - esquecem onde puseram as chaves do carro, ou fazem listas para se lembrar do que têm de fazer, e depois esquecem onde deixaram as listas! Pesquisas na Universidade de Michigan demonstraram que o declínio da memória entre jovens de 30 a 40 anos hoje em dia é o mesmo dos idosos de 70 a 80 anos. Parecem o paciente que se queixou ao médico: "Doutor, estou a perder a memória!" O doutor então perguntou: "Perde a memória? Há quanto tempo?" O paciente respondeu: "Há quanto tempo o quê, doutor?..."

A depressão tem base biológica?

Cada emoção tem um componente biológico. Quando vemos uma pessoa deprimida numa cadeira, quase incapaz de se mover, tendemos a pensar que ela está sem energia. Pelo contrário, ela está como uma mola retesada: segrega desenfreadamente elevados níveis de cortisol, sinal de que está a lutar uma exaustiva batalha mental - tudo dentro de si. Como a escola freudiana descreve, depressão é "agressão voltada para dentro".

Estrelas de Hollywood tomam hormonas para manter a vitalidade. Mas, como os endocrinologistas advertem, não existe almoço grátis. O aumento não natural de hormonas pode produzir danosos efeitos colaterais. Temos dentro de nós uma sofisticada farmacopeia. Podemos naturalmente estimular o corpo a melhorar a produção de hormonas, sem risco para a saúde.

O objectivo da biopsicologia é optimizar a secreção hormonal. Assim como as emoções negativas são acompanhadas por uma sopa bioquímica tóxica, as positivas mobilizam uma agradável mistura de hormonas e neurotransmissores benéficos para a saúde. Estudos demonstram que um dos mais importantes factores na saúde e longevidade não é exercício, alimentação ou estilo de vida, mas a resposta à pergunta: "Tem alguém na sua vida que realmente o ame? E a quem realmente ame?" Aqueles que respondem "não" têm risco até cinco vezes maior de morte prematura que os que respondem "sim". A mensagem destas pesquisas: o amor realmente conta.

Qual a molécula de emoção que está ligada ao amor e à afeição?

Uma é a ocitocina, estimulada em todos durante relações afectivas e nas mulheres durante a amamentação. Ela tem poderosos efeitos anti-stress: reduz o nível de cortisol e a tensão arterial. Por isso, o apoio social é tão importante na resistência ao stress e à saúde. Mas cada vez estamos mais desligados uns dos outros. Sofremos de "síndrome das metrópoles": uma sensação de estar sozinho no meio da multidão. A tecnologia acabou com distâncias, mas foi incapaz de nos aproximar. Como diz o Dalai Lama, "compaixão e amor não são supérfluos. São fundamentais para a sobrevivência da nossa espécie".

E como se faz isso,
na prática?

Os nossos corpos e mentes são como ruas de via dupla. Podemos afectar o corpo através da mente, e vice-versa. Somente abordagens mentais ou cognitivas serão ineficazes se o sistema endócrino estiver um pandemónio. Há métodos antigos para mudar a bioquímica e equilibrar emoções. Fazem parte das técnicas que trabalhamos na nossa prática clínica, que equilibram as glândulas endócrinas e transformam sentimentos negativos — raiva, ódio, medo — em atitudes positivas, como optimismo, entusiasmo e compaixão. Inclui trabalhos físicos que massageiam as glândulas endócrinas através da TERAPIA DAS PEDRAS VULCÂNICAS, visualizações, técnicas de respiração, relaxamento neuro-muscular, meditação e utilização de produtos naturais como as Essências Vibracionais (também conhecidas como “florais”). Alguns destes trabalhos são gravados numa cassete enquanto decorrem, para que o paciente a ouça em casa e assim possa desfrutar dum "Spa em Casa" — alguns minutos por dia de optimização hormonal que transforma a vida das pessoas.



Conselho prático para o quotidiano

Faça breves pausas durante o dia para respirar lenta e profundamente através do diafragma. Faça isso também quando lidar com pessoas irritantes ou negativas e esforce-se para abrir o coração e manter a mente positiva. Lembre-se: simplesmente olhar para a foto de uma pessoa que ama ajuda a diminuir as hormonas do stress. Coloque em prática o que um estudo feito por uma seguradora americana comprovou: quando uma mulher beija o marido antes que ele parta para o trabalho de manhã, a expectativa de vida dele aumenta cinco anos. A dela também!




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