por Maria Luísa Albuquerque
publicado no Jornal de Parapsicologia

 

Freud = iceberg. Para ele é um conjunto de processos dinâmicos, formado por desejos recalcados e pela libido. É matéria psicológica que só pode ser conhecida pelo afloramento simbólico ao consciente, onde deve ser analisada e interpretada por um terapeuta experimentado.

Freud comparou a nossa mente a um iceberg.
O que está à vista é o consciente, que faz com que nos apercebamos do nos rodeia

Jung - discípulo de Freud, modifica e amplia esse conceito de inconsciente, acrescentando-lhe outros componentes e, especialmente, fazendo a diferença entre consciente pessoal e colectivo. Este é formado por “arquétipos”, as características arcaicas resultantes da experiência dos nossos antepassados.

A parte submersa representa o inconsciente,
segundo Freud e Jung muito maior que o consciente.

Para Jung e Freud, o inconsciente precisa ser aflorado ao consciente, onde chega precisando interpretação.

Psicologia - considera-o como um campo pouco explorada da personalidade, que contém elementos responsáveis por sofrimentos psicológicos, por desequilíbrios do psiquismo e do comportamento, que precisam ser conduzidos ao consciente para que se possa entender o seu real significado.

Hipnose - ao lado destas práticas convencionais, foram-se desenvolvendo ao longo dos séculos, práticas empíricas e intuitivas para levar o ser humano à introspecção, a um nível interno de percepção de si mesmo, e isto não é mais do que o já exposto: condução da pessoa ao seu inconsciente. Este técnica foi também experimentado por Freud e seus colegas.

Sofrologia - divide o consciente e o inconsciente em compartimentos estanques, graduados, até atingirem a “inconsciência”.

Desde que nascemos, tudo o que acontece connosco fica em memória,
pelo menos inconsciente.
Assim temos lembranças felizes e infelizes
(no ponto de vista do paciente).
A vida evolui e do exterior somos bombardeados
com chuvas e tempestades...

Parapsicologia - estuda os fenómenos não regulares, não repetíveis à vontade, não habituais e que foram rejeitados pela ciência até então.
Todos fazem uma análise, interpretação, teorização e generalização. É portanto uma abordagem indirecta do inconsciente. Este inconsciente, elemento que fez parte da teoria da Psicanálise, da Psicologia Analítica, da Sofrologia e da Parapsicologia, e que foi atingido pela introspecção e o relaxamento conduzido, constitui-se também, gradualmente, um campo de observações, de teorias, de experiências e de actuação terapêutica do que hoje está sistematizado como um método próprio da terapia psicossomática e que é chamado de Terapia de Integração Pessoal ou Método TIP.

Aqui, pela primeira vez o inconsciente é abordado directamente por meio de um método e sobre ele se realiza todo o processo de diagnóstico e tratamento do paciente, tanto psicológico, quanto físico ou noológico. Este contacto directo com o inconsciente permitiu a descoberta de um mundo novo de conteúdos, capacidades e funções específicas e mostrou um espaço infinitamente mais amplo e rico que o tradicionalmente conhecido.

Sigmund Freud

O inconsciente é um nível mental que difere do consciente, tanto nas suas características, mas também na maneira de revelar os factos, de os registar, de desenvolver raciocínios e julgamentos, na sua comunicação e linguagem. Um paciente, quando é conduzido pela ADI ao inconsciente, evidencia de imediato cenas do passado, vivências de profundo significado emocional, de conteúdo negativo, acontecimentos traumatizantes. A cena apresenta-se como um quadro vivo, acrescida da realidade interna dos sentimentos, pensamentos e emoção dos protagonistas.

P.ex: o paciente não percebe apenas que o pai está a bater na irmã, mas sabe dizer quais os sentimentos do pai, quais os pensamentos da irmã e as consequências afectivo-emocionais desse acto.

Este tipo de percepção, o dos processos internos que acompanham emocionalmente a cena percebida, é exclusivo do inconsciente e, como não se encaixa na lógica consciente, muito dificilmente será “consciencializada” a nível de técnicas de afloramento, porque seria censurada ao nível da “racionalização”.

O conteúdo global da cena só é verificável através duma “abordagem directa do inconsciente” (ADI), onde se exige a adaptação do consciente à realidade inconsciente. Para isso é preciso um treino, uma aprendizagem.

Apesar das cenas de sofrimento serem as primeiras a serem visualizadas pelo paciente em nível I, o terapeuta pode levar o paciente a reactivar na memória os registos positivos, quando isso for considerado importante para a terapia. A experiência ensina-nos que na memória inconsciente está todos o factos vivenciados desde o princípio da vida, no útero materno e que foram fixados com dimensões muito mais profundas e mais amplas do que o consciente faz.

Esta memória inconsciente de factos passados, estende-se para além do início da própria vida, porque o registo do inconsciente pessoal trás em si o registo do inconsciente dos antepassados, como se pode verificar e confirmar continuamente pela experiência “terapia de integração pessoal” (TIP). Essa memória exerce a sua acção activa sobre o psiquismo e o organismo.

No entanto, outros conteúdos inconscientes mostram que existem dimensões humanas a partir do inconsciente, que são capazes de agir sobre os registos do passado no indivíduo, de compreender os códigos inconscientes já programados e comportamentos e reacções daí resultantes, podendo reformular a programação inconsciente.

Por vezes, a máquina humana não aguenta a pressão, a chuva ligeira transforma-se em tempestade, as águas agitam-se, o iceberg balança, desaparece parte do consciente, as lembranças felizes parecem desaparecer e as infelizes afloram...
Nesta situação depressiva os fenómenos parapsicológicos têm mais possibilidade de acontecer.


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