Trabalho apresentado por MARIA LUÍSA ALBUQUERQUE
no Iº Encontro Ibero-americano de Parapsicologia,
realizado em Buenos Aires de 15 a 17 de Novembro / 1996



1 - INTRODUÇÃO

A presente comunicação tem por objectivo abordar alguns aspectos históricos e conceptuais da Parapsicologia. Seria de todo impossível tratar a totalidade do tema, até porque só tenho meia hora para falar...

Pretendo nesta comunicação centrar-me exclusivamente no período em que a Parapsicologia foi gradualmente obtendo um estatuto de paradigma científico, emergente de um certo contexto mágico que até então a rodeava.

O presente estudo pretende, então, centrar-se no contexto que envolveu a Parapsicologia aquando da sua tentativa de emancipação quer do ambiente mágico que a rodeava, quer das outras ciências que lhe faziam fronteira, não prescindindo contudo da benéfica interdisciplinaridade que mantém com estas últimas. A Parapsicologia obtém a partir de 1954 o estatuto de Paradigma Científico apesar das suas relações conflituosas com a Comunidade Científica ainda hoje perdurarem.

Na abordagem conceptual do problema, pretende-se referir fundamentalmente três tipos de Escolas diferentes, a saber, Materialista, Pragmática e Espiritual ¾ deixando vincada a minha convicção pela última: a escola espiritual Latino Americana presidida pelo Professor Oscar Gonzalez-Quevedo.

2 - DESENVOLVIMENTO TEMÁTICO


2.1 Uma abordagem histórica do problema

2.1.1 Os antecedentes da Parapsicologia Moderna

A parapsicologia, consciente ou não, concretizada ou não concretizada, mesmo longe da sua definição, é um campo em que o homem, desde sempre, esteve envolvido.

O homem primitivo, sempre criou e viveu num mundo mágico que era para ele a resposta aos inúmeros mistérios inexplicáveis que a vida lhe punha. E, de certo modo, por vezes a resposta que lhe era permitida.

O seu tipo de vida, obrigava-o ou criava-lhe qualidades ou atributos que lhe eram fundamentais e que, com o seu evoluir foram desaparecendo ou atenuando, mas que ainda persistem. Por exemplo certas “qualidades” se assim lhes podemos chamar, que hoje estão estudadas como a ESP, a possibilidade de PK e outras.

É natural, portanto, que o homem fosse mais do que actualmente, fonte de diversos fenómenos paranormais. Alguns mais dotados, terão mesmo adquirido um estatuto próprio, como os magos, os feiticeiros e os xamanes.

Apesar da falta de documentação dos tempos antigos, não deixam de ser frequentes e de certo modo abundantes, as referências não consciencializadas, a fenómenos parapsicológicos e seus responsáveis.

Se recuarmos à velha civilização egípcia, aí iremos encontrar alguns destes fenómenos, tidos como mágicos ou sobrenaturais e que a Parapsicologia hoje facilmente explica.

Nas civilizações do Médio-Oriente - Assírios, Babilónios, etc... não faltam esses fenómenos, que muito bem cabem no campo da Parapsicologia, embora envoltos em muita magia e alguma religiosidade.

Nos Gregos, também não faltas essa situações. Abstraindo das fraudes e rotinas, o que se pretendia, dos oráculos, e outros adivinhos, senão a precognição que a Parapsicologia estuda?

O povo judeu também não foge à regra. O acontecido no festim de Baltazar - frase surgida na parede (Daniel 5, 25-26)- não é mais que um fenómeno parapsicológico, a pneumografia por ecto-colo-plasmia.

Os romanos, à mistura com a ganga das suas diversas crenças, não se furtaram também à existência e constatação dos fenómenos parapsicológicos, como referem alguns dos seus mais consagrados autores - como por exemplo Plínio, no caso das suas mesas dançantes. E muitos outros factos podiam ser referidos.

Que é por vezes um mágico, um feiticeiro, um curandeiro, senão uma pessoa com distúrbios psíquicos que se manifestam de alguma forma? E que dizer de alguns “brujos” e xamanes que ainda hoje existem? Que fazem eles mais que atingir determinados estados alterados de consciência traduzidos em alguns fenómenos?

E quantas pretensas bruxas, teriam sido queimadas na Idade Média, (quem o sabe?), apenas por manifestarem esses fenómenos?

Ainda hoje se procede ao fomento do se supõe serem “dons” com o fim de se manifestarem fenómenos, como é o caso dos bem conhecidos dervixes dançantes e dos cultos afro-brasileiros e vudus.

O espiritismo, não passa de uma forma de provocar os tais estados alterados de consciência, que permitem, o aparecimento dos fenómenos parapsicológicos.

O mesmo aconteceu e ainda acontece com o misticismo religioso, seja ele católico, hindú ou muçulmano.

O aparecimento do espiritismo, na sua forma actual, desencadeou todo uma estrutura que pretende determinada explicação, por vezes com pretensões religiosas ou filosóficas, mas que não passam ao fim e ao cabo, do desencadear de situações que se situam no campo da Parapsicologia.

O advento do espiritismo moderno, fez com que sábios e outros estudiosos, se dedicassem a estudar esses fenómenos e assim surgiu a Metapsíquica, mãe da verdadeira Parapsicologia, que pecou apensas, por na época, não ter recursos técnicos para ir mais adiante. Esse passo em frente, foi dado por Rhine e a sua Escola, que criaram a Parapsicologia científica ou académica, hoje considerada uma verdadeira Ciência.

Várias caminhos se abrem ao estudo dos fenómenos parapsicológicos, conforme o maior ou menor materialismo dos seus investigadores, mas todos eles têm um ponto comum - o de centrarem a origem de todos esses fenómenos, no próprio homem, que é, ao fim a ao cabo, a razão e a justificação da própria Parapsicologia.

A Doutrina Espírita (1848)

A crença na possibilidade de comunicação com os espíritos dos mortos é muito velha. Vimo-la, já, em quase todos os povos da antiguidade.

Embora os princípios nos quais se fundamentava não fossem diferentes das doutrinas necromânticas dos povos antigos, o espiritismo moderno apresentou algumas características especiais, especialmente a velocidade com que se difundiu em pleno auge da Filosofia positivista.

É um conjunto de doutrinas e ritos baseados numa interpretação subjectiva de alguns fenómenos. Crê na sobrevivência da alma, mas com a particularidade de que este dogma se liga com o da comunicação com as almas desencarnadas, isto é, dos mortos. Este é o princípio básico, que às vezes se acrescenta à doutrina da reencarnação.

É evidente a influência no espiritismo das antigas crenças ocultistas sobre a natureza do homem e do universo. Reconhecemos nessa tríade a teoria do "kha" dos egípcios; os diferentes planos cósmicos da cabala e o gnosticismo e a doutrina da alma do mundo dos alquimistas ou magnetismo dos magos naturais. Isto demonstra uma vez mais como o espiritismo não traz realmente nada de novo e se inscreve, sem solução de continuidade, na linha das tradições esotéricas clássicas.

O esquema teórico do espiritismo está muito longe de apresentar a clareza conceptual e a coerência exigida pelo conhecimento científico. Deixemos de lado o apenas religioso ou filosófico onde nenhuma ciência o poderá combater. Mas há afirmações a respeito da circunstâncias reais e naturais muito difíceis de aceitar.

Tomemos por exemplo o periespírito, "verdadeiro agente intermediário de todos os fenómenos transcendentais metapsíquicos e espíritas", que é definido como "o invólucro semi-material do espírito". A concepção de algo "semi-material" é uma incoerência lógica, já que os termos "material" e "imaterial" são polaridades que não admitem situações intermédias.

O mesmo acontece com o ectoplasma, que se estivesse realmente constituído por fluídos orgânicos existentes no corpo do médium, deveria ser detectado e isolado em qualquer momento, mesmo fora da sessão espírita.

A contradição do que afirma o espiritismo sobre sua fundamentação científica torna-se ainda maior, se examinarmos o método de colheita de dados que utiliza e que está muito longe de cumprir as mais elementares exigências da metodologia científica.

O conteúdo das mensagens presuntivamente originadas no além-túmulo demonstra que o seu carácter trivial se contradiz com o carácter transcendente que os espíritas querem lhes atribuir. Os "raps" e os ruídos frequentemente ofendem a inteligência humana pela sua simplicidade. Nenhum espírito retornou para nos trazer alguma obra artística de grande valor, nenhuma invenção notável, nenhuma contribuição filosófica.

Devemos levar em consideração, finalmente, que os condutores do espiritismo carecem de qualquer preparação em metodologia científica, não têm nenhuma experiência no campo da investigação empírica e inclusive faltam-lhes conhecimentos psicológicos elementares que os impeçam reconhecer como fenómenos naturais por exemplo, o transe hipnótico, os automatismos motores ou as dissociações de personalidade.

Em conclusão, rejeitamos qualquer tentativa de inclusão do espiritismo dentro do campo científico. Constitui um esquema do universo que responde aos princípios e doutrinas do ocultismo e, como tal, não pode ser identificável e superposto ao conhecimento científico. Só lhe resta o âmbito filosófico e religioso, onde nada lhe pode ser objectado.

A Metapsíquica (1882)

Embora a Society for Psychical Research (SPR) não tenha sido o primeiro grupo de investigadores de fenómenos vinculados ao espiritismo ¾ na segunda metade do século passado constituíram-se duas "Sociedades de Fantasmas", uma em Oxford e outra em Cambridge, na Grã-Bretanha - ela pode ser considerada como a primeira tentativa de investigação sistemática dos fenómenos parapsicológicos, considerados como um campo independente de estudo. Além disso, iniciaram a aplicação de métodos objectivos de investigação, apesar de não terem atingido plenamente resultados na sua primeira época.

Os propósitos da American Society for Psychical Research (A.S.P.R.), segundo os seus fundadores, eram: investigar os fenómenos pretensamente telepáticos, de clarividência, alucinações verídicas e sonhos, psicometria, precognição, rabdomancia e outras formas de conhecimento parapsicológico, como também a investigação de fenómenos parapsicológicos de efeitos físicos, como os “raps”, a telecinesia, as materializações, as levitações, a imunidade ao fogo, os poltergeist; o estudo da escrita automática, os discursos em transe, as alterações da personalidade e outros processos subconscientes. Em resumo: todos os tipos do fenómeno que os ingleses chamavam "psíquico", mediumnístico, ou parapsicológico, ou metapsíquico, além de todas as questões acessórias e relativas aos mesmos.

Embora o Dr. CHARLES RICHET não tenha sido o primeiro presidente efectivo do Instituto Metapsíquico Internacional (I.M.I.), ele o foi designado presidente de honra, como reconhecimento da sua obra pioneira e da sua condição indiscutível de principal figura da Metapsíquica em França. As suas duas obras mais importantes sobre este tema, "Traité de Métapsychique" (1922) e "Notre Sixième Sens" (1928) ainda continuam sendo clássicos de consulta obrigatória para todos os parapsicólogos. O I.M.I. tinha como objectivo o estudo dos fenómenos considerados "aberrantes frente à ciência clássica", segundo frase de Charles Richet.


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RICHET, Charles Robert (1850-1935). Médico francês, descobridor da anafilaxia e da soroterapia. Foi professor agregado de Medicina na Sorbonne em 1878 e professor de Fisiologia em 1887, membro da Academia de Medicina 1898, Premio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1913, membro da Academia de Ciências em 1914.
Fundou em 1891 o prestigioso “Annales des Sciences Psychiques”. Foi presidente da S.P.R em 1905. Foi patrono e animador da fundação em 1919 do I.M.I, do que foi presidente de honra de 1930 até à sua morte. É considerado um dos mais completos pesquisadores de Parapsicologia. Fez investigações com Eusapia Palladino, Marthe Béraud, Klouski, Guzick, Ossowiecki, Kahn, etc. Publicou o imprescindível e abrangente “Traité de Métapsychique”, Paris, 1922. Mas antes e depois outros muitos livros, entre eles: “Les Phénomenes Dits de Materialisation de la Villa Carmen avec Nouveaux Documents et Discution”, 1906 - “Notre Sixième Sens”, 1928 - “L’Avenir de la Prémonition” (1931) - “La Grande Espérance”, 1933 - “Au Secours”, 1935. Quando a morte o surpreendeu aos 85 anos, já tinha pronto para ser publicado o manuscrito de “L’Avenir de la Science”.

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2.1.2 O surgimento de um novo Paradigma Científico


Hoje podemos definir, de uma forma mais ou menos abrangente, a Parapsicologia como a ciência “que tem por objecto a constatação e análise de fenómenos à primeira vista misteriosos, mas possivelmente resultado de faculdades inerentes ao ser humano” (Oscar Quevedo). Ela “estuda todos os factos nos quais a vida e o pensamento se manifestam por fenómenos aparentemente inexplicáveis” (Boirac), ou ainda, segundo Rhine, “é um ramo da Psicologia que trata de fenómenos mentais e seu comportamento nos campos que possam exigir princípios ainda não aceites”.

Claro que o ser humano, que jamais conseguiu libertar-se das suas origens e do seu mundo mágico, continua ainda a não aceitar plenamente a Parapsicologia, daí o procurar, a maior parte das vezes, a explicação dos fenómenos no campo mágico do ocultismo e no terreno espírita.

Mas depois dos estudos de Freud e Jung, e de outros, nomeadamente de Rhine e da sua escola, no campo dos fenómenos parapsicológicos, não são de admitir afirmações que ignorem o próprio homem, que é afinal, como disse atrás, a única razão e justificação dos fenómenos, da parapsicologia, em suma.


2.1.3 A abertura à Comunidade Científica e a Parapsicologia como um novo Paradigma de Ciência.

A Parapsicologia académica de J.B. Rhine (1934)/>


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RHINE, Joseph Banks (1895-1980). Considerado o pai da Parapsicologia académica, começou a interessar-se por estes estudos pela mão do prestigiado Professor W. McDougall, da Universidade de Duke, Durham, Carolina do Norte.

Fruto de longas Experiências Quantitativas foi a primeira publicação de Rhine: “Extra-Sensory Perception”, Boston, 1934, que causou uma tempestade de controvérsias, comovendo o mundo científico, por demonstrar uma faculdade não-material com a técnica Materialista aceite por todos! Nesse mesmo ano, 1934, sob o patrocínio do Professor W. McDougall ficou estabelecido na Universidade Duke o “Parapsychology Laboratory”, cuja direcção como entidade independente assumiu Rhine em 1950 organizando-o como “Parapsychology Institut”. Em 1937 começou a publicar o “Journal of Parapsychology”, que dirigiu até 1958. Foram aparecendo vários outros livros: “The Reach of the Mind”, Nova Iorque, 1947 - “New World of the Mind”, 1953 - “ESP: What Can We Make of It?”, Londres, 1965 - “Progress in Parapsychology”, Nova York, 1971 - E em colaboração com Pratt , J. G.: “Parapsychology, Frontier Science of the Mind”, Springfield, 1957 - Etc.
Em 1965 deu-se um facto significativo: o “Parapsychology Institut” foi incorporado pelo próprio Rhine à “Fundation for Research of Nature of Man”, para isso desligando-o corajosamente da Universidade Duke e funcionando fora do seu campus universitário. A sua esposa, a Dra. Louise E. Rhine (1891-1983), desde o início colaborou muito, pesquisando também com inúmeros Casos Espontâneos, com Experiências. É autora de diversos e importantes trabalhos sobre Parapsicologia: “Manual for Introductory Experiences in Parapsychology”, Duke, s.d. - “Hidden Channels of the Mind”, Nova Iorque, 1953 - “ESP in Life and Lab; Tracing Hidden Channels”, 1967 - “Psi, What Is It? The Story of ESP and PK”, 1970 - “Mind over Matter: Psychokinesis”, Londres e Nova Iorque, 1970 - “The Invisible Picture: A Study of Psychic Experiences”, Jefferson, N.C., 1981 - “Somthing Hidden”, 1983.

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O Congresso Internacional na Holanda (1953) e a primeira cátedra de Parapsicologia em Utreque.


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William Tenhaeff,
professor na Universidade de Utrech, na Holanda,
foi o organizador do Congresso Internacional de 1993.





1954,- a autonomia e o reconhecimento da Parapsicologia como novo Paradigma Científico por parte da Comunidade Científica


2.1.4 O período pós-1954

O conflito entre um novo Paradigma de Ciência - A Parapsicologia - e a Comunidade Científica.

2.2 Abordagem Conceptual

2.2.1 A variedade das Escolas e das perspectivas conceptuais

2.2.2 A Escola Materialista (U.R.S.S)

Influências e contexto:

A Escola Materialista aparece dentro de um contexto profundamente influenciado por uma concepção filosófica inteiramente voltada para a valorização da componente material do ser humano. A concepção marxista-comunista de História e de Homem.

De notar, apesar de tudo, que Vassiliev e Betcherev, chegaram à conclusão de que haveria “alguma força própria das transmissões cerebrais, mentais, irredutíveis aos agentes físicos”

2.2.3 A Escola Pragmática de Hans Bender (Alemanha), e de Rhine (Norte Americana)

Este tipo de Escola insere-se na concepção filosófica do pragmatismo, tendo por principal característica o conceito de utilidade. Tanto Bender como Rhine, pretendem aplicar à Parapsicologia uma certa concepção utilitária que é expressa por uma metodologia laboratorial e experimental. É sabido que a Filosofia conheceu na Alemanha, durante o séc. XIX uma certa hegemonia. No séc. XX este predomínio da Filosofia alemã é conduzido para a Filosofia norte-americana. A grande concepção em voga tanto numa como noutra, é a concepção pragmática, portanto, da utilidade.

2.2.4 A Escola Espiritual de Oscar Gonzalez-Quevedo (Latino Americana)

Predomina nesta Escola, fundamentalmente a concepção humanista cristã do Homem. De onde resulta uma valorização da componente espiritual em detrimento da material.

Esta Escola, absolutamente antagónica com os princípios da Escola Materialista, aproveita com bastante interesse e êxito, muitos dos aspectos do segundo tipo - a Pragmática.

3. CONCLUSÃO

Este breve trabalho teve como objectivo primeiro advogar em favor da Parapsicologia como novo Paradigma de Ciência.

Apesar de ainda hoje, a Parapsicologia ser por muitos considerada como um ramo do saber que usa de métodos cientificamente pouco ortodoxos, não é menos verdade que ela caminha no sentido de conquistar um domínio próprio e autónomo, demarcado de um certo tipo de saber (como por exemplo o espiritismo). Este, constrói a sua teoria partindo de verdades básicas que supostamente encontram o seu fundamento numa “realidade” situada fora das possibilidades de um estudo científico.

A Parapsicologia tem como objecto primeiro a análise do Homem, e a partir daqui é errónea e irresponsável toda a tentativa de a considerar como “ não ciência”.

A Parapsicologia é hoje considerada, sem recusa, como Ciência. Contudo, o seu “calcanhar de Aquiles”, continua a ser a procura de um ponto de encontro no diálogo com a comunidade científica dominante. Julgo que apenas uma questão de tempo a impede de um reconhecimento universal como novo Paradigma Científico.

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RESH, Padre Andreas. Nascido em 1934, ordenado sacerdote rendentorista em 1961, Doutor em Filosofia e Psicologia, Doutor em Teologia, professor de Psicologia Clínica e de Parapsicologia na Universidade Lateranense de Roma, desde 1969, durante seis meses por ano.

Além da cátedra de Parapsicologia em Roma, toda a sua excelente actividade é típica da Escola Europeia e Teórica. É director do “Instituts für Grenzgebiete der Wissenschaft” (IGW). Dirige a revista “Grenzgebiete der Wissenschaft” (GW). É o presidente da associação “Imago Mundi” de Parapsicólogos católicos e o principal organizador dos congressos dessa sociedade. Entre seus numerosos escritos, destacam os livros “Der Traum im Heilsplan Gottes” Friburg, 1964 - “Jesu Ursigens Taten? En Beitrag zur Wunderfrage”, 1970 - (Coordinador:) “Mistik”, 1975 - “Welt, Mensch und Wissenschaft Morgen”, Paderborn - “Probleme der Parapdychologie” - “Im Kraftfeld des Christlichen Weltbildes” - Der Kosmisch Mensch”.

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4. BIBLIOGRAFIA

AMADOU, Robert - La Parapsychologie, étude historique et critique, Paris 1954

BENDER, Hans - Telepatia, Clarividência e Psicocinésia, Lisboa 1978

FANTONI, Bruno - Magia e Parapsicologia, São Paulo 1973

MUSSO, J. Ricardo - Contribuición de la Parapsicologia al Conocimiento del Hombre, Buenos Aires, 1963

PÉROT, René - O Efeito PK ou a Acção do Espírito Sobre a Matéria, Lisboa 1957

QUEVEDO, Oscar Gonzalez - O que é Parapsicologia, Braga 1978

A Face Oculta da Mente, Braga 1978

As Forças Físicas da Mente, Braga 1979

RICHET, Charles - Traité de Métapsychique, Paris 1923

ROCHAS, Albert - La Science des Philosophes et l’art des thaumaturgues dans l’antiquité, Paris 1950

RHINE, J.B. - The Reach of the Mind, N. York 1971 (6ª edição)

New Frontiers of The Mind, 1937

THURSTON, Herbert - Los Fenómenos Físicos del Misticismo, San Sebástian 1953

TOCQUET, Robert - Tout l’occultime dévoilé, Paris 1952

Os Poderes Secretos do Homem - Um Balanço do Paranormal, São Paulo

VASILIEV, Leonid V. - Os Misteriosos Fenómenos da Psique Humana, Rio de Janeiro

Jornal de Parapsicologia do CLAP-Portugal, de 1993 a 2001

Revista de Parapsicologia do CLAP-São Paulo, de 1973 a 1978


Lista de artigos em Parapsicologia
  • O que é Parapsicologia?
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