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Há por vezes situações na vida que trazem a sensação de um mal irreparável, geralmente envolvendo perdas ou grandes mudanças: doenças, morte de alguém, mudança de cidade, de emprego, de condição social, separação, perda de um sonho ou ideal e outras. As situações mais dolorosas referem-se à perda de um ente querido.
As pessoas ficam com a sensação de terem sido roubadas de algo a que tinham direito. Passam por um processo doloroso que envolve sofrimento, medo, revolta, raiva, culpa, depressão, isolamento, desinteresse pelas actividades costumeiras ou excesso de actividades (fuga); apresentam sintomas físicos e psicológicos de stress, podendo até vir a adoecer.
O tempo requerido para o "luto" (fase de maior sofrimento) e a maneira de o viver, depende muito das circunstâncias da perda, o significado desta para a pessoa, o seu modo particular de lidar com situações de crise, apoio disponível no seu meio familiar e social, como a comunidade onde vive encara esta perda, as suas próprias crenças e outros aspectos.

A recuperação de uma perda significativa leva de alguns meses a dois anos e, mesmo assim, alguns aspectos podem continuar não muito bem resolvidos.

 Mas, além da tristeza, as situações dolorosas podem fazer com que descubramos em nós mesmos forças antes desconhecidas, fazer com que repensemos as nossas vidas e valores, passando a perceber o que realmente é importante e o que é supérfluo, e podem transformar-nos em pessoas mais ricas espiritual e emocionalmente.

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../uploads/108.gifSugestões que podem ajudar nesta fase difícil

 


../uploads/153.gif1 - Fale sobre a sua perda e a sua dor.


Nos primeiros meses muitos têm esta necessidade. Deixe que os outros saibam que este assunto não deve ser evitado e que lhe faz bem falar sobre isto. Abrir-se com alguém de confiança, ajuda no entendimento e na aceitação. Quando os amigos entendem o processo, percebem que ouvir e compartilhar o sofrimento, estão a ajudar. Assim a pessoa vai sentir-se melhor a desabafar. Entretanto, em algumas situações, ou com algumas pessoas, quando não quiser falar sobre o assunto, também é importante dizer isto claramente.


../uploads/153.gif2 - Enfrente o sentimento de culpa


Quando se perde alguém importante é difícil sentir que se fez o bastante. Discutir este sentimento com alguém compreensivo e de confiança vai ajudar a distinguir a culpa real e irreal e, aos poucos, esta começa a diminuir. Não pode sentir-se responsável por não prever os acontecimentos, ou culpa como se tivesse tido a intenção de prejudicar alguém. Além do mais, temos que aceitar a realidade de que ninguém é perfeito, fazemos o melhor possível de acordo com a nossa capacidade.


../uploads/153.gif3 - Trabalhe os sentimentos de raiva e revolta


Estes sentimentos existem em face de uma grande perda. É importante percebê-los e exprimir os sentimentos de raiva e amargura. Não adianta negá-los ou envergonhar-se deles, são normais e irão desaparecendo com o tempo e a aceitação do facto.


../uploads/153.gif4 – Idealização


Há uma fase em que a pessoa pensa nas suas falhas como pai, mãe, filho, cônjuge, irmão, namorado ou amigo... e vê a pessoa que se foi como um ser perfeito. Com o tempo, começará a vê-la como um ser humano real, com as suas qualidades e defeitos, assim como todos nós.


../uploads/153.gif5 - Não se isole


Mesmo que não se sinta à vontade para compartilhar o seu sofrimento e prefira ficar sozinho, precisa procurar a companhia de outras pessoas. Amigos e familiares que o estimem podem ajudar muito. Não se esqueça que não está só; muitos o estimam, querem dar-lhe amor e conforto, assim como precisam do seu amor e atenção. Isto consola, renova as suas forças e ajuda na construção de novos objectivos e, com o tempo, a recuperar a alegria de viver. Estas pessoas podem fazer muito por si e você por elas.


../uploads/153.gif6 - Mudança de valores


Diante da morte ou de uma grande perda, a pessoa tende a repensar os seus valores, a reavaliar os seus objectivos de vida; deixar de lado coisas que anteriormente valorizava e que agora percebe que são insignificantes e/ou fúteis, e a valorizar aspectos que percebe serem realmente mais importantes. Muitas vezes implementa mudanças positivas na sua maneira de ser e de viver, tornando-se menos preocupada com o ter e mais com o SER, evoluindo moral, emocional e espiritualmente.


../uploads/153.gif7 - "Nunca mais serei a mesma pessoa"...


É frequente haver um grande sofrimento neste pensamento que pode ser real, mas isto não significa que nunca mais possa ser feliz.Embora esta ideia possa parecer inaceitável no período do sofrimento, as transformações podem enriquecer.Geralmente é isto que acontece, quando a pessoa aceita trabalhar e superar a fase de mágoa e revolta, decidindo que pode e deve viver o melhor possível.


../uploads/153.gif8 - Evite decisões importantes ou grandes mudanças


O primeiro ano após a perda, geralmente não é um período adequado para tomar decisões importantes ou fazer grandes mudanças, a menos que as circunstâncias o exijam. Uma pessoa amargurada tem a capacidade de julgamento diminuída.Se algumas mudanças forem necessárias e inadiáveis, peça a ajuda de alguém competente e não envolvido emocionalmente com os problemas.


../uploads/153.gif9 - Reserve períodos e local para lembranças


Não fique o tempo todo a pensar e a contemplar objectos da pessoa que se foi. Coloque alguns pertences dela numa caixa ou armário, não os deixe espalhados. Tente reservar algum período específico do dia (no início), da semana ou do mês, para pensar na pessoa e no seu luto, quando também poderá rever os objectos. Evite fazer isto o resto do tempo, pois nada de bom e útil se consegue com a tristeza contínua. Para algumas pessoas isto não é fácil de conseguir, mas é necessário à sobrevivência e recuperação.


../uploads/153.gif10 - Prevendo dias e datas difíceis


É útil saber que se vai sentir mais triste, solitário e infeliz em certos dias e datas do que noutros, isto mesmo depois de ter passado algum tempo e com a vida mais estabilizada. Estes dias especiais geralmente envolvem datas de aniversário, Natal, passagem de ano, Páscoa e outros, onde a falta da pessoa se faz mais presente.Planeie passá-los com amigos ou familiares, pois é provável que fique mais triste, choroso e deprimido que noutras ocasiões. Não se isole, é bom que esteja em companhia de pessoas que o estimem.


../uploads/153.gif11 - A crença de que a vida transcende a nossa estada na terra e num Ser Superior

 Um Ser com Amor Incondicional e
Sabedoria, perfeito e justo,
não castiga
as pessoas, mas sempre
quer o seu bem,
a sua evolução, mesmo que muitos
de nós ainda não tenhamos
a capacidade
para entender o porquê de muitos acontecimentos.

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Desde a antiguidade, a maioria dos povos de todas as regiões do globo, com culturas e religiões diferentes, acredita na imortalidade da alma ou espírito e na existência de um Deus ou "Algo Superior". Isto é quase que uma intuição que trazemos desde o nascimento. Hoje, mais do que nunca, temos tido provas da imortalidade da nossa dimensão espiritual e de que tudo na vida tem um propósito positivo, que nada acontece por acaso.
Mesmo que não sejamos religiosos, esta crença traz consolo.
Pensar que a pessoa não acabou, mas apenas deixou a sua dimensão física e se transferiu para um tipo de vida diferente, noutro plano, faz com que as pessoas se sintam melhor diante da perda; e significará que a separação é temporária, não definitiva.


../uploads/153.gif12 - Culpa por se sentir bem


É comum as pessoas não se permitirem alegria após uma grande perda, não aceitando convites de amigos, ou evitando actividades agradáveis. Não lute para continuar a ser ou parecer infeliz. Perceba que sentir-se contente, ter novos objectivos, não é deslealdade nem significa que não ama ou está a esquecer o ente querido. Conseguir prazer em algo, significa que está a trazer um pouco de alívio ao seu sofrimento, retomando ou recomeçando a construir a sua vida. Além disso, se a pessoa que se foi o estima, com certeza gostaria de vê-lo bem e não a sofrer, preferiria vê-lo contente e isto lhe daria mais tranquilidade. Procure investir no seu bem-estar, envolvendo-se em actividades produtivas e que lhe são agradáveis,
e poderá tornar a sua vida melhor ainda do que antes, se aprendeu algo com o acontecido, se cresceu com o sofrimento e compreensão do que é realmente mais importante na vida.


../uploads/153.gif13 - Reajuste-se à vida e ao trabalho


Tirar alguns dias ou semanas para se reequilibrar e, depois, uma folga ocasional, quando necessário, é perfeitamente normal. Mas as actividades devem ser retomadas assim que for possível, pois são importantes no processo de recuperação. Seja paciente consigo mesmo, porque nos primeiros meses a sua capacidade física e mental podem não ser as mesmas. Deve diminuir a sua carga horária ou o número de actividades, se sentir que é excessiva; mas a inactividade prolongada faz as pessoas repetirem ou prolongarem a fase depressiva sem nenhum benefício. Com o tempo poderá também perceber que é importante utilizar um pouco da sua energia numa actividade que possa ajudar outras pessoas e/ou instituições, saindo um pouco de seu pequeno mundo e percebendo a importância e bem-estar que traz ajudar o próximo, de conseguir tornar outros um pouco mais felizes e menos carentes física e psicologicamente.


../uploads/153.gif14 - Liberte-se de expectativas irreais


Acreditar que a vida deveria ser diferente, não envolvendo escolhas dolorosas, sofrimentos e perdas é irreal e traz revolta, o que só prejudica. Tornando as nossas expectativas quanto a nós mesmos, aos outros e à vida mais realistas, fica mais difícil frustrarmo-nos e mais fácil a adaptação. Ninguém passa por situações que não mereça por puro acaso; nem enfrenta uma carga maior do que a que tenha
capacidade para carregar. Saber que não vivemos num mundo desorganizado pois existem leis universais, que "nada acontece por acaso" e tudo tem uma razão de ser justa e produtiva, leva-nos a encarar os acontecimentos (com relação a nós e aos outros envolvidos), mesmo os mais difíceis, como oportunidades de aprendizagem e crescimento.


../uploads/153.gif15 - Integrando a perda


As pessoas não "têm" que ser "vítimas", qualquer que seja a perda, por pior que tenha sido. Situações de muito sofrimento podem ser transformadas em aprendizagem. É preciso deixar de lado as perguntas centradas no passado (que é imutável) e no sofrimento ("Porque isto aconteceu comigo"?) e começar a fazer perguntas que abrem as portas para o futuro: "Agora que isto aconteceu o que posso e devo fazer? O que posso aprender com isto? O que posso fazer para ser e sentir-me melhor?".
Geralmente quando chegamos à fase da aceitação, atingimos a compreensão e crescemos com a experiência, a dor vai-se. Fica a saudade de uma pessoa com a qual convivemos e que nos proporcionou bons momentos e ensinamentos, tanto com as suas qualidades, como com os seus defeitos; com a qual compartilhamos uma parte da nossa vida. Só se tem saudade de algo que foi bom ou nos trouxe algo de positivo. Deve ser mais triste não ter de quem sentir saudade, seja de uma pessoa deste ou de outro plano.


../uploads/153.gif16 - Pesar excessivamente longo


Quando um sofrimento excessivo consome alguém por mais de um ano, geralmente o problema principal não é a perda em si, mas algum outro aspecto que precisa ser entendido. Muitas vezes isto ocorre quando havia uma dependência excessiva em relação à pessoa que se foi, quando a culpa por algum motivo é um componente muito forte na situação, problemas emocionais pessoais activados ou reforçados pela perda ou outras razões significativas. Amigos, conselheiros ou um psicólogo podem ser necessários neste caso.


../uploads/153.gif17 - Procure ajuda profissional, se necessário


A maioria dos que procuram ajuda de um psicoterapeuta não são doentes mentais, são pessoas comuns que enfrentam problemas, passam por uma crise e muitas delas sofrem uma perda. Um profissional da área é alguém com quem se pode dividir o sofrimento, a revolta, o medo, as lembranças dolorosas, a culpa e conflitos. É alguém que pode compreendê-lo e ajudá-lo. As sessões de terapia podem ajudá-lo também a tomar decisões práticas que o farão sentir-se melhor. A pessoa pode precisar apenas de algumas sessões, muitos meses para superar a fase mais difícil, ou mais tempo; tudo vai depender do significado individual da perda, da maneira como reage às crises e à terapia. No início do pesar, uma das formas mais comuns de manifestar o sofrimento é resistir a crescer com ele. A vida pode ser prejudicada ou fortalecida por uma perda. Ninguém permanece o mesmo. Cada situação é única e só a própria pessoa pode buscar e encontrar respostas relativas ao "outro eu" e à outra vida que vão emergir.

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Lista de Artigos
  • A importância do entusiasmo
  • Enfrentar uma perda
  • O que é Depressão
  • Metas e Lei da Atracção